Broas dos Santos da Mãe

Também esta reportagem é uma repetição, o ano passado foi AQUI publicada.
Por estas horas a azáfama cá em casa é a que se vê nas fotos!!!!



A receita mais tradicional do Dia do Bolinho são as Broas dos Santos.
Existem imensas receitas, umas mais simples, outras mais complexas, cada qual com a sua característica particular.
Geralmente levam frutos secos e são generosamente aromatizadas com especiarias, principalmente canela e erva-doce.

Cá no blog coloquei já algumas receitas, mais simples de se fazer do que esta que irei mostrar.
Mas esta é a receita tradicional que a família da minha Avó Mariana sempre fez, não tinha papel escrito com a receita, está gravada na sua memória de tanta vez que a fez e que a viu fazer.
A minha Mãe sempre se refere a esta receita como as «Broas dos Santos da Mãe», por isso mesmo é assim que a chamo também, e é assim que a conhecemos todos cá em casa.
As Broas dos Santos da Mãe são cozidas em forno de lenha, dão uma trabalheira danada mas são a nossa tradição.
A minha Avó, a minha Mãe e a minha Madrinha passam a tarde inteira de volta do forno de lenha a cozer as Broas, tal como vos irei mostrar.

A massa foi feita antes do almoço, para ficar a levedar.
Deve ter-se em atenção que neste tipo de receita apenas se pode juntar o açúcar quando a massa já está levedada, é a última coisa a fazer. Caso contrário não cresce.
São necessárias sempre três pessoas para este tipo de receita: uma amassa, outra segura o alguidar e outra vai colocando os ingredientes.

A farinha utilizada para esta receita foi da Nacional.

Ingredientes:
Xarope:
| 6 Pau de Canela
| 1 Vagem de Baunilha
| Casca de 3 Limões
| 1,5 litro de Água

Massa para levedar:
| 4 kg. de Farinha para Bolos (Nacional)
| 125 gr. Erva Doce
| 250 gr. de Canela (depende do gosto)
| 1 colher (de sopa) de Sal
| 100 gr. Fermento de Padeiro
| Raspa de Limão e de Laranja (5 laranjas e 2 limões)
| 5 Gemas de Ovos

Só depois de levedar se junta:
| 1,5 kg. de Açúcar
| Baunilha em pó (a gosto)
| Frutos Secos

Preparação:
Prepara-se o xarope, fervendo a água com as cascas dos limões, os paus de canela e a vagem de baunilha.
Deixa-se arrefecer.



Num alguidar grande coloca-se a farinha. Cá em casa existem dois alguidares de barro grandes próprios para estas receitas.



Junta-se a canela, a erva doce, o sal e o fermento de padeiro esfarelado com as mãos e mistura-se bem com a farinha.







Adiciona-se a raspa de laranja e limão e envolve-se tudo.



Junta-se as gemas de ovo e o xarope e amassa-se até estar tudo bem ligado e se desprender facilmente do alguidar.
A quantidade de xarope a utilizar depende do tipo de farinha, existem farihas que absorvem mais outras que absorvem menos líquidos, é necessário verificar o que é preciso juntar conforme se vai amassando.





A massa tem que ser muito bem batida, tarefa que a minha Madrinha costuma fazer, pois a minha Avó já não tem força para tal.
Os meus filhos acham sempre imensa piada a esta tarefa e gostam, também, de colocar literalmente a mão na massa!











Quando se verificar que a massa se solta do alguidar e não se pega às mãos é porque está pronta para levedar.





Tapa-se o alguidar e coloca-se num local abrigado e morno, aqui foi colocado ao lado da lareira, tapado com um pano e uma mantinha quente.
Deixa-se levedar até dobrar de tamanho, aproximadamente durante 1 hora.

Adiciona-se então o açúcar e os frutos secos. A gosto poderá também juntar-se baunilha em pó para dar mais sabor.
Amassa-se novamente, aí a massa tomará uma textura diferente pois o açúcar transforma a textura da massa.



Ter sempre em atenção que o açúcar apenas se junta DEPOIS DE A MASSA LEVEDAR, caso contrário, segundo a minha Avó, a massa deslaça, ou seja, não fica compacta para levedar e depois não cresce.

Moldam-se então as broas, com a ajuda de farinha, no tamanho desejado, pincelam-se com ovo batido e faz-se um corte em forma de cruz com uma tesoura no topo, que depois se polvilha com açúcar e onde se coloca uma amêndoa ou um pedaço de noz.



Estas broas foram cozidas num forno de lenha, previamente aquecido.



A base do forno chama-se LAR.
O lar é bem limpo e é aí que são colocadas as broas a cozer, transportadas até lá com uma pá de forno.





Tem que se verificar constantemente a cozedura e retirar assim que estiverem douradas a gosto.



Dá imenso trabalho fazer as broas desta maneira, e suja-se mesmo muito!
Mas a minha Mãe e a minha Madrinha fazem questão de cozer as broas no forno de lenha, além disso o trabalho foi basicamente todos delas.
A minha Avó apenas orienta, também já não tem idade nem forças para este tipo de trabalho, e eu sinceramente não me interesso muito pelo amassar à mão, não é tarefa que me entusiasme!
Esta reportagem que mostrei foi só possível graças a elas.
Sempre que se fazem estas broas, e devido ao trabalho que dão, utilizam estas quantidades, rendem bastante mas pelo menos assim compensa o trabalho que dá.

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